terça-feira, 28 de outubro de 2014

Glúten o inimigo oculto



Glúten. Saiba quando é o inimigo oculto

Cada pessoa responde aos alimentos de maneira diferente e nem sempre o que está na moda faz bem. Nutricionista esclarece que não só celíacos devem ficar atentos aos efeitos do glúten no organismo.

Tão comum no dia-a-dia, o glúten está presente na mesa, e é algo tão natural, que só lembramos dele quando lemos a advertência de sua presença na embalagem. Pães, bolos, biscoitos e quase todos os produtos industrializados tem a participação dele.
Glúten é uma proteína presente no trigo, aveia, cevada, centeio e malte e têm sido fonte de muita polêmica e discussão. Mas afinal de contas, o glúten deve ou não fazer parte da dieta?
Existem dois casos em que o glúten não deve ser ingerido: quando a pessoa é portadora da doença celíaca ou quando têm hipersensibilidade ao glúten. Celíacos são pessoas que possuem intolerância permanente ao glúten e não podem ingeri-lo de forma alguma. A doença não tem cura, mas retirando esta proteína da dieta as pessoas conseguem levar vida saudável e normal. No caso da hipersensibilidade, a pessoa sente alguns desconfortos, mas como essa alergia é mais leve, ela não será diagnosticada como celíaca.

Identificando sintomas
A nutricionista Flávia Morais, da rede Mundo Verde, especializada em produtos naturais, orgânicos e para bem-estar, explica que diversas pesquisas sugerem que a ingestão de glúten por pessoas hipersensíveis afeta a função normal do cérebro e pode causar sintomas imunológicos e intestinais. Os sintomas mais comuns relacionados ao glúten são constipação intestinal, rinite, asma, artrite, prurido, dermatite e acne, além de alterações de humor, ansiedade, depressão e síndrome do pânico.
“Quando não são imediatos, os sintomas podem se manifestar até quatro dias depois da ingestão do alimento e muitas vezes de maneira crônica. Por isso torna-se difícil para a maioria das pessoas relacionar qual alimento ocasionou o sintoma. Daí a necessidade de observar permanentemente e, se possível, anotar em um papel, como o corpo responde após a ingestão dos alimentos”, alerta a nutricionista.
No caso do glúten, grande número de pessoas observa que os sintomas são atenuados e até desaparecem com a retirada do alimento alergênico. Por isso, a dieta é sugerida para verificar se a exclusão do glúten proporciona melhoria nos sinais e sintomas apresentados.

Ausência de glúten não prejudica
É o caso da aposentada Sônia Regina Moreira Cobo, 58 anos, que cortou o glúten da dieta há seis meses. Ela não é celíaca, mas sentia alguns desconfortos e foi orientada pela nutricionista a fazer o teste da dieta sem glúten para ver se conseguia melhora nos sintomas. “Eu sentia desconforto intestinal muito grande e fiz o teste da dieta sem glúten durante um mês. Mesmo com pouco tempo, a melhora já foi significativa e então resolvi segui-la e hoje posso dizer que obtive melhora de 70%”, atesta Sônia Regina.
Para pessoas que apresentam problemas crônicos de constipação, flatulência, artrite, coceiras pelo corpo, enxaquecas, alterações de humor e ansiedade e que ingerem glúten com frequência, a sugestão é restringir o consumo desses alimentos para observar se há melhora dos sintomas. “É preciso lembrar que o glúten não é nutriente essencial para a saúde e sua retirada da dieta não causa prejuízos”, afirma Flávia.

Dieta Sem Glúten
A nutricionista Flávia Morais elaborou algumas dicas para as pessoas que querem descobrir se têm hipersensibilidade ao glúten. Ela recomenda, contudo, que, antes de qualquer decisão, é sempre importante consultar um profissional de nutrição para que não haja prejuízos à saúde.
Ø               A restrição ao glúten deve ser feita pelo período de duas semanas a 40 dias. Nesta fase, não se deve ingerir qualquer alimento que contenha a proteína em sua formulação. Portanto, a leitura do rótulo é fundamental para identificar a ausência de glúten nos produtos.
Ø               Após o período de exclusão, o glúten deve ser reintroduzido na dieta, em três refeições, num mesmo dia. Depois, volta-se a excluir o glúten da dieta e se observa se nos quatro dias seguintes os sintomas indesejados se manifestam novamente. Se for identificada a melhora nos sintomas, a sugestão é persistir na dieta sem glúten.
Ø               Durante o período de exclusão, trigo, aveia, centeio e cevada podem ser substituídos por arroz integral, trigo sarraceno, quinua, soja, milho, tapioca e tubérculos como batata, mandioca e inhame.
Ø               Frutas, de todos os tipos, não contêm glúten e são ótimas opções para lanches no meio da manhã e tarde.
Ø               Lembre-se: esta não é dieta com a finalidade de perda de peso, mas isso pode acontecer devido ao melhor funcionamento do corpo sem a exposição ao alérgeno.
Ø               É importante ainda manter bons hábitos: escolher lugares calmos para realizar as refeições; mastigar bem os alimentos; evitar a ingestão de líquido durante as refeições para não prejudicar o processo de digestão e diminuir o consumo de alimentos refinados e industrializados.
Ø               Também é recomendável aumentar o consumo de frutas, verduras e legumes, de preferência orgânicos; incluir no cardápio óleos vegetais como óleos de linhaça e de gergelim e azeite de oliva extra virgem, além de oleaginosas como castanha do Brasil, amêndoas, sementes de abóbora, linhaça e girassol.

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